Setor de eletroeletrônico aumentará vendas
Eletroeletrônicos e informática serão destaques do varejo
Para o economista Alexandre Andrade, da Tendências Consultoria Integrada, 2010 será o ano do varejo de bens duráveis, com destaque para os eletroeletrônicos. Trata-se de um contraponto a 2009, quando as vendas foram puxadas principalmente pelos alimentos.
Este ano, o consumidor de baixa renda gastou cerca de 18% a mais com bens não-duráveis. Aumento do crédito, redução dos juros, ampliação das parcelas, expansão da massa salarial e a volta da confiança do consumidor, recuperada depois da crise econômica global, vão se somar, segundo Andrade, à chegada da Copa para fazer os varejistas acreditarem em um ano de boas vendas.
“A Copa do Mundo estimulará a venda de eletroeletrônicos. Estes produtos devem se sobressair nas vendas”, afirma o economista da Tendências. Em entrevista ao BRASIL Econômico, o especialista fez um balanço do desempenho do varejo em 2009 e comentou quais devem ser os principais rumos do setor para o ano que vem.
Qual o balanço que o senhor faz de 2009?
O ano foi relativamente bom quando fazemos a comparação com outros setores, como a indústria. De uma maneira geral, o varejo não apresentou retração nas vendas em nenhum mês, na comparação com o ano anterior. E claro que os diversos segmentos do setor tiveram desempenhos diferentes, mas de uma maneira geral, ele foi bem. Os bens duráveis foram afetados porque a crise impactou o canal de crédito.
Houve também uma retração da demanda porque os consumidores ficaram mais pessimistas. Assim, quem puxou as vendas do varejo foi o setor de bens não- duráveis. Além de não depender de crédito, porque alimento é essencial, o setor supermercadista tem um peso importante no varejo por ser o segmento de maior participação, com cerca de 50%.
O que podemos esperar do varejo em 2010?
O setor deve voltar a observar taxas de expansão mais fortes. Já neste final de ano podemos perceber aumento do crédito, redução da taxa de juros e a ampliação das parcelas. Existe uma expectativa de vigor para os bens duráveis e o setor de eletroeletrônicos deve se sobressair nas vendas. Será ano de Copa do Mundo e o evento estimulará a venda destes produtos.
Além de eletroeletrônicos, qual outro setor deve ter bom desempenho?
Informática também deve ter um desempenho bastante satisfatório. O governo prorrogou até 2014 a isenção de PIS/Cofins para o setor, o que deve estimular bastante as vendas destes produtos. O governo também tem projetos de compra para muitos computadores.
Com mais crédito e juros menores, o senhor acredita no aumento da inadimplência?
A inadimplência não deve ser um problema porque os postos de trabalho tendem a crescer também. Além disso, a ampliação do crédito faz o consumidor rolar mais as dividas. Desde julho, a inadimplência vem caindo e a tendência é continuar neste ritmo. Em julho, a inadimplência chegou ao patamar mais baixo da série histórica, que teve início em junho de 2000 quando o Banco Central começou a divulgar estes dados.
Algum setor do varejo deve apresentar baixo desempenho em 2010?
Os não-duráveis como alimentos e semiduráveis como vestuário devem apresentar crescimento mais modesto, mas mesmo assim apresentarão aumento de vendas.
Este ano tivemos uma importante negociação no setor, a fusão de Ponto Frio e Casas Bahia. Como o senhor avalia este movimento de fusões e aquisições no varejo?
Este movimento vem acontecendo porque as empresas pretendem ganhar escala por conta das margens apertadas.
O segmento de shopping centers passou por um momento interessante em 2007, quando algumas aquisições foram feitas e empresas foram para a bolsa de valores. Agora que as companhias não falam mais em crise, como deve ser a atuação deste setor no ano que vem? Ele deve crescer na esteira do varejo. As empresas empreendedoras de shopping devem retomar investimentos buscando atender todo o tipo de cliente.
A VEZ DOS ELETROELETRÔNICOS
A pesquisa mais atual do IBGE revela que o setor de móveis e eletroeletrônicos sofreu queda de 0,7% nas vendas no acumulado de janeiro a outubro deste ano.
Com a chegada da Copa do Mundo, a recuperação do crédito e a expansão da massa salarial, os eletros terão destaque. Os móveis ganharão com a redução do IPI.
INCENTIVOS
1. Móveis e automóveis
A redução do imposto sobre produto industrializado para automóveis com motor flex vai até março de 2010. Os móveis têm isenção do imposto até o mesmo mês. Produtos de madeira, metal e plástico foram contemplados.
2 Linha branca
Nesta categoria, a redução do imposto sobre produto industrializado é válida até 31 de janeiro. O governo priorizou com as menores alíquotas os produtos que consomem menos energia.
3 Material de construção
Nesta área, a redução do imposto sobre produto industrializado vai até unha de 2010. Cimento, verniz, tinta e argamassa são algumas das categorias beneficiadas.
4 Computadores prorrogação da isenção de PIS/Cofins para computadores e notebooks que custam até R$ 4 mil se estende até dezembro de 2014.
Brasil Econômico – Empresas – 24/12/2009 – Pág. 30 e 31
![]()
Conheça mais dos nossos produtos.