Sony planeja lançar televisão em 3D
Plano da companhia é vender em todo o mundo

A tecnologia 3D, ao que parece, vai chegar aos lares dos consumidores no ano que vem. A Sony anuncia hoje seus planos de vender televisores em três dimensões em todas as partes do mundo até o fim de 2010. A decisão da Sony de apostar na tecnologia será um estímulo importante para a tecnologia 3D, que até agora vem se concentrando nos cinemas. A British Sky Broadcasting informou que vai lançar um canal de TV por satélite em 3D no Reino Unido no ano que vem, mas ainda não está claro se haverá equipamentos adequados disponíveis.

Howard Stringer, executivo-chefe da Sony, vai anunciar na feira de tecnologia IFA, em Berlim, que a companhia não pretende apenas vender os televisores Bravia, capazes de transmitir em três dimensões, mas também pretende tornar os laptops Vaio, os consoles de videogame PlayStation 3 e os tocadores de Blu-Ray compatíveis com a tecnologia.

A expectativa, é de que Stringer dirá ao público da feira: "Hoje, o 3D está claramente caminhando para o mercado de massa através da tecnologia, distribuição e conteúdo. Assim como aconteceu com a alta definição alguns anos atrás, há uma variedade de problemas que ainda precisam ser resolvidos. Mas o trem do 3D está a caminho e nós da Sony estamos prontos para conduzí-lo para os lares".
O segmento de produtos eletrônicos de consumo ainda precisa chegar a um acordo para um padrão único para o 3D, o que representa o risco de uma guerra por formatos parecida com a que aconteceu entre com os padrões VHS e Betamax ou Blu-Ray e HD-DVD.

Existem vários tipos de tecnologia 3D. A Sony optou pelo sistema "active shutter " (obturador de câmera ativo), que usa lentes eletrônicas que contêm obturadores diminutos que abrem e fecham rapidamente em sincronia com as imagens do televisor, para criar a sensação de três dimensões.

O cinema 3D usa a tecnologia da "polarização", com lentes mais simples. No entanto, isso funciona apenas quando os espectadores estão a um certo ângulo da tela, tornando a tecnologia menos adequada para o uso em casa. A Sony, que sofreu pesadas perdas operacionais no quarto trimestre, recentemente fechou sua última fábrica de televisores de telas de cristal líquido na América do Norte, para se concentrar em produtos com margens maiores.

A indústria dos aparelhos eletrônicos de consumo está em busca da próxima tecnologia para melhorar seu desempenho, uma vez que as vendas de televisores de alta definição já atingiram seu pico. A Hyundai está produzindo os primeiros televisores 3D para o mercado japonês e a Panasonic tem planos para esses produtos.

O compromisso da Sony melhora as chances da tecnologia 3D se tornar predominante. "Estamos esperando alguém dizer que está fazendo isso. Até agora, temos visto as pessoas empregando esforços reais mínimos no 3D", diz Tom Morrod, analista sênior da Screen Digest, especializada em pesquisa de mercado no setor de mídia.

A Sony não deu indicações sobre os preços dos aparelhos, mas analistas acreditam que os primeiros televisores 3D custarão vários milhares de dólares. Os televisores 3D da Hyundai custam aproximadamente US$ 4.840.

Nos cinemas, a absorção da tecnologia 3D cresceu nove vezes em três anos. A previsão é de que sete mil telas digitais 3D estarão em operação no mundo até o fim de 2009.

Contexto
O Blu-ray pode ser classificado como a evolução do DVD. Com o mesmo tamanho e formato, os discos dessa nova tecnologia podem receber até cinco vezes mais informações que os de sua antecessora, o que permite que neles sejam gravados conteúdos em alta definição de imagem e som, que precisam de muito mais espaço para serem armazenados. É possível armazenar até 9 horas de conteúdo neste formato. Se a gravação for feita no padrão tradicional, o tempo de gravação sobe para 23 horas.

Não é possível assistir um disco de Blu-ray em um equipamento tradicional de DVD, mas o contrário, sim. Isso fará com que as duas tecnologias convivam por bastante tempo, uma vez que muitas pessoas não vão querer jogar fora os discos de shows e filmes comprados a partir de 1998 - ano de lançamento do DVD.

A tecnologia Blu-ray foi criada por um consórcio de empresas liderado pela japonesa Sony. O nome remete ao feixe de laser azul-violeta usado nos tocadores para leitura dos discos. Até fevereiro do ano passado o padrão tinha como concorrente o HD-DVD, sistema desenvolvido pela também japonesa Toshiba, e defendido por companhias como Microsoft, Paramount e Universal Studios. A decisão da Warner Bros - que detém a maior presença no mercado de vídeos para exibição em casa nos EUA - de adotar o Blu-ray como padrão, no entanto, acabou com a batalha de formatos que já durava dois anos.

Em 20 de fevereiro, Atsutoshi Nishida, presidente da Toshiba, anunciou a morte do HD-DVD. Na época, a estimativa era de que 1 milhão de aparelhos capazes de reproduzir conteúdo neste formato haviam sido comercializados. Segundo analistas, as perdas da Toshiba com a disputa ultrapassaram os US$ 400 milhões. No mês passado a companhia informou que colocaria no mercado, ainda neste ano, produtos equipados com a tecnologia Blu-ray.
Valor Econômico - Empresas & Tecnologia – 02/09/2009 – Pág. B3