Comércio faz estoque com a volta do IPI
Redes ampliam em até 25% compras na linha branca

O varejo de eletrodomésticos já começa a fazer estoques preventivos para escapar da alta de preços das geladeiras, máquinas de lavar e dos fogões, com o fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) previsto para 1º de novembro. As concessionárias de veículos, por sua vez, pretendem continuar absorvendo a alta gradual do IPI dos carros. O temor do comércio é que, com o imposto integral, o ritmo de vendas tenha algum soluço no fim de ano, o melhor período de faturamento para os lojistas.

“Estamos tentando fazer algum estoque de linha branca. Fica difícil saber o que vai acontecer depois do fim da queda do IPI e com a proximidade do Natal”, afirma o diretor comercial das Lojas Colombo, Gladimir Somacal. Com 360 lojas em quatro Estados, a rede ampliou entre 25% e 30% as encomendas de fogões, geladeiras e máquinas de lavar para os próximos dois meses. “Sem o fim da queda do IPI, as encomendas seriam 10% maiores”, diz o executivo. A intenção é ter sobra de produtos para continuar vendendo sem imposto até dezembro.

A mesma estratégia é adotada pelas Lojas Cem, rede com 178 pontos de vendas. “Já estamos planejando comprar um pouco mais de eletrodomésticos”, conta o supervisor geral da empresa, José Domingos Alves. Sem revelar quanto, diz que o objetivo de ampliar os estoques é continuar vendendo produtos sem imposto, mesmo após o fim do benefício.
Já a Insinuante, líder no Nordeste, acha arriscado formar estoques com juros elevados. “Não é boa estratégia especular com estoques”, diz o diretor comercial, Rodolfo França Jr. Ele quer ampliar em 15% as encomendas de produtos da linha branca para o Natal, se a redução do IPI for mantida no último bimestre.

Líder na produção de linha branca, a Whirlpool já detectou pequenos sinais de que as lojas estão ampliando as compras. “O varejo vai procurar formar estoques”, diz o diretor comercial e de logística da companhia, Sérgio Leme. Desde meados de abril com IPI menor, a produção de eletrodomésticos da linha branca cresceu 20% em relação a igual período de 2008, diz Leme. A empresa abriu 1.300 vagas temporárias e efetivou 300 trabalhadores desse total. “2009 será o melhor ano da companhia, mas 2010 ainda é uma incógnita.” Paulo Coli, vice-presidente da Latina Eletrodomésticos, que produz lavadoras semiautomáticas, os tanquinhos, notou que desde julho o varejo está ampliando estoques, com acréscimos na faixa de 15%.

Encomenda cresce no setor automotivo nas indústrias que fornecem componentes para as montadoras houve uma aceleração das encomendas para setembro. As compras de vidros para automóveis, por exemplo, cresceram 10% em setembro na Saint Gobain Sekurit, que fornece para todas as montadoras, conta o diretor Manuel Corrêa. Ele não sabe dizer se as montadoras estão se preparando para um período mais aquecido nos últimos meses com IPI reduzido (setembro e outubro) ou se estão antecipando a produção para colocar os veículos nas revendas antes do fim do benefício. “Acho que tem um pouco dos dois.”

Ayrton Fontes, economista da MSantos, agência de varejo automotivo, constatou numa enquete feita com grandes concessionárias que elas estão dispostas a manter o benefício do IPI menor mesmo que o governo não prorrogue até o fim do ano. “Vamos bancar o IPI de todos os modelos de veículos para nossos clientes até janeiro ”, afirma Carlos Palazzini, dono da concessionária Palazzo, que revende as marcas GM, Peugeot, Cherry e Kia.
Jornal da Tarde – Economia – 31/08/2009 – Pág. 3B