Desktop fica menor para competir com os notebooks
Computadores de mesa vêm perdendo espaço
Com a perda de espaço para os notebooks, os computadores de mesa precisam se reinventar. Modelos compactos, que ocupam menos espaço, ou embutidos no monitor, conhecidos por all-in-one, começam a chegar ao mercado para atrair os consumidores. "Lançamos o primeiro desktop compacto no fim do ano passado, e hoje ele já responde por 30% a 40% das vendas", diz Dante Avanzi, gerente de produtos para desktop da HP. A empresa acaba de lançar um all-in-one, com tela sensível ao toque.
No ano passado, foram vendidos 7,6 milhões de desktops e 4,1 milhões de notebooks no País, segundo a consultoria IT Data. Para este ano, a previsão é de 6,3 milhões de computadores de mesa e 4,7 milhões de notebooks. "A pessoa física está preferindo cada vez mais o notebook", disse Ivair Rodrigues, diretor de Estudos de Mercado da IT Data. "A queda prevista para a venda de desktops este ano é de 17%. A tendência é que as vendas mensais de notebooks ultrapassem as de desktops em novembro ou dezembro deste ano." Mesmo assim, o computador de mesa ainda é forte no mercado corporativo, por questões como segurança da informação, durabilidade e assistência técnica mais fácil.
A Digitron, fabricante brasileira de placas para computadores, começou
a produzir este mês uma placa-mãe compacta para desktops. "Fabricamos
um primeiro lote de 5 mil unidades, que não deu nem para o começo",
diz Wladimir Benegas, diretor de vendas e marketing da companhia. "A placa
compacta é uma tendência internacional forte." O primeiro
lote foi distribuído para dez clientes da Digitron.
Além de ocupar menos espaço, o desktop compacto consome menos
energia. "A economia pode chegar a 30%, quando comparada a uma máquina
tradicional", explica Benegas. No mês que vem, a empresa vai lançar
uma outra placa compacta, e a expectativa é que esse tipo de produto
responda por 40% da produção até o fim do ano.
"O mercado se movimenta para a mobilidade", reconheceu Fábio Lemos, gerente sênior de marketing da Dell para a América Latina. "O desktop precisa ganhar personalidade, com um visual mais atrativo." A empresa aposta em cores e design diferenciados em seus modelos compactos. O all-in-one, com tela touch screen, tem três opções de cores.
A redução do tamanho dos desktops acompanha o fortalecimento
do conceito de media center, em que o computador passa a ser um repositório
de vídeos, fotos e música, para se transformar num centro de entretenimento
na casa das pessoas. "Um all-in-one não é mais somente um
desktop. É outro tipo de computador. Fora do Brasil, as pessoas colocam
esse tipo de computador na cozinha", diz Lemos.
Por enquanto, o all-in-one ainda está posicionado como um produto para
consumidores de alto poder aquisitivo, com preço normalmente acima de
R$ 4 mil. A Positivo Informática espera popularizar o produto, e prepara
o lançamento de seis modelos no próximo mês, com preços
a partir de R$ 1,5 mil. "Teremos produtos bastante competitivos",
disse César Aymoré, diretor de marketing da Positivo. "Vamos
vender o all-in-one para a classe média, e também para a classe
A."
Para Aymoré, apesar da evolução rápida do notebook em relação ao computador de mesa, existe um limite para essa tendência. "Acredito que o mercado como um todo chegará a uma situação próxima de 60% de notebooks e 40% de desktops", diz o executivo. "O primeiro computador da família deve continuar a ser um desktop, até porque muitas vezes as pessoas se unem para pagar pelo computador."
A Positivo Informática ainda não definiu quando lançará
seus desktops compactos. "Nós vemos esse tipo de produto com bons
olhos, principalmente para o segmento de entretenimento", diz Aymoré.
"O PC vai ficar cada vez mais próximo da TV de LCD, como media center."
O Estado de S.Paulo – Economia – 22/08/2009 – Pág.
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