Lucro do varejo está no limite
O varejo tenta recuperar as margens de lucro

"As margens de lucro estão muito apertadas por causa da queda das vendas e, para recuperá-las, é preciso ajustar custos", disse Marcel Solimeo, da ACSP duramente afetadas pela crise de crédito.

Segundo o economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, os ajustes preparam as empresas para competição mais intensa, para a atual instabilidade no comportamento dos consumidores e para a suscetibilidade à variação econômica
do comércio. "A margem de lucro está muito apertada por causa da queda das vendas", disse o economista.

Segundo Solimeo, é impossível determinar percentualmente as margens brutas e líquidas médias das atividades comerciais, porque cada ramo tem faturamento diferente, de acordo com o público, a concorrência e o volume de vendas. "Nas vendas de grandes volumes, como no caso dos supermercados, as margens são reduzidas pois eles giram mais mercadorias que as revendedoras de automóveis", afirmou o economista. No caso dos produtos têxteis, o setor trabalha com margens mais altas no início das estações, para aplicar descontos atraentes nas peças que sobraram. "Isso é feito para que as promoções de 70% de desconto possam acontecer na mudança de coleção", diz.

As grandes promoções ajudaram a afetar efetivamente as margens de diversos setores do varejo nos últimos meses, de acordo com o advogado e contador Marcos Antonio Galindo, do setor de relações institucionais do Sindicato dos Lojistas do Comércio de São Paulo (Sindilojas-SP). "A margem, hoje, está muito aquém da que seria ideal." Para Galindo, o atual momento exige gestão eficiente e criatividade para enfrentar a concorrência e fidelizar os clientes, porque as margens não deverão voltar tão cedo aos patamares anteriores à crise.

Na ponta do lápis – A partir de agora, o fundamental para recuperar a margem de lucro, para o pesquisador do Programa de Administração do Varejo (Provar), José Carlos Luxo, é colocar todas as contas na ponta do lápis e atuar em três frentes: primeiro, reduzir os custos com a folha de pagamento.
Depois, diminuir despesas fixas (como de água e energia elétrica) e variáveis (como materiais de escritório e internet). "Também é preciso um rígido controle, para evitar, por exemplo, arcar com os juros de contas não pagas por esquecimento. Cortar custos é como cortar unha. Tem que fazer toda semana", disse. A terceira estratégia é investir para ampliar a participação de mercado da empresa – ou seja, conseguir vender mais que os concorrentes.

Na indústria, ajustes nas empresas, como os cortes, principalmente no emprego, fizeram os empresários ficarem mais otimistas em relação ao aumento ao lucro. Na semana passada, a Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou que o índice de satisfação com as margens passou de 36 pontos no trimestre anterior para 37,8 pontos no terceiro trimestre deste ano.
Diário do Comércio (São Paulo/SP) – Economia – 28/07/2009 – Pág. 1